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Aproximação da época balnear

A importância dos cloros estabilizados

A contaminação da água de uma piscina deve-se, fundamentalmente, à presença de banhistas e ao meio envolvente.

Apesar de todas as precauções, o nadador elimina, necessariamente, secreções bocais e nasais, além de transferir gorduras cutâneas, cosméticos e outros produtos ricos em microrganismos para a película superficial da água. Esta película é resistente e pode ocultar os microrganismos, protegendo-os dos desinfetantes.

Por conseguinte, a água da piscina deve, além de desinfetada, ter características desinfetantes, capazes de inativar os microrganismos à medida que eles entram no meio hídrico, de forma a evitar a transmissão de doenças contagiosas.

 

A utilização de cloro como agente sanitário e oxidante numa piscina foi há muito reconhecida, independentemente da espécie de cloro utilizada, graças ao seu elevado poder oxidante. O objetivo principal é combiná-lo com a água para formar o ácido hipoclorídrico (HOCl), uma vez que apenas nesta forma ele higieniza e oxida.

No entanto este ácido tem certas limitações:

  • tem tendência a ser instável na presença da luz do sol e a temperaturas elevadas;
  • funde-se rapidamente com compostos de azoto, principalmente amónia (dando origem às cloraminas), reduzindo em mais de 90% o seu poder germicida e provocando um grande problema na manutenção da água das piscinas;
  • é dependente do pH da água, pois à medida que o pH aumenta a percentagem de cloro que permanece como ácido hipoclorídrico desce.

 

No caso do hipoclorito de sódio e do hipoclorito de cálcio, todas estas limitações estão presentes, apresentando ainda o hipoclorito de sódio os seguintes problemas:

  • é muito corrosivo e cáustico, dando problemas de manipulação;
  • tem um tempo de vida em contentor reduzido, 4 meses ou menos, dependendo da forma como está armazenado;
  • aumenta o pH da água da piscina e o teor de cloretos e de sódio.

 

Da existência destas limitações surge o uso do ácido isocianúrico (H3O3C3N3) como estabilizante em relação ao cloro, dando origem a dois derivados clorados bastante usados na desinfeção de águas de piscina: o dicloroisocianurato de sódio (Cloro rápido), e o ácido tricloroisocianúrico (Cloro lento).

O dicloroisocianurato de sódio deve ser doseado na forma de solução e por meio de bombas doseadoras, devendo a limpeza do tanque da solução ser feita com frequência devido aos precipitados que se formam e que podem prejudicar o bom funcionamento do sistema de dosagem.

O ácido tricloroisocianúrico, devido à sua grande dificuldade em se dissolver (daí o nome cloro lento) só pode ser aplicado diretamente no tanque de compensação ou na piscina (desde que não haja frequência de banhistas no espaço das 8 horas seguintes).

Estes dois compostos apresentam três grandes vantagens:

  • não são tóxicos nas doses habitualmente usadas em piscinas;
  • a sua ação estabilizante em relação ao cloro residual permite diminuir consideravelmente a velocidade de desaparecimento do cloro em piscinas ao ar livre. Embora essa estabilização não seja tão necessária em piscinas cobertas, aqueles produtos poderão, mesmo aí, ser aplicados;
  • não afeta o pH da piscina.

 

Por último, convém sempre lembrar que um desinfetante deve ser de largo espectro, isto é, ser capaz de destruir ou inativar bactérias, cistos, vírus e algas, e ser bem tolerado pelos banhistas. Mas é também fundamental recordar que os desinfetantes não são inócuos para os banhistas, devendo por isso a escolha da sua dose resultar de um compromisso entre a necessidade da água da piscina ser desinfetante e os seus efeitos nos banhistas.

 

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| Abril 14th, 2015 | Posted in Notícias |